ESG no Comércio Exterior: a importância de se atentar a práticas mais sustentáveis na sua operação

Em um mundo gradativamente mais consciente das mudanças climáticas e das suas consequências, o ambiente econômico tem se voltado a ações que combinam a busca pela eficiência e resultados, com a atenção a práticas sustentáveis norteadas pelo paradigma ESG (governança ambiental, social e corporativa, em tradução livre).

Esse movimento não é apenas uma tendência passageira, mas sim uma mudança fundamental na estrutura do comércio global que traz uma nova dinâmica, inclusive, para os processos de exportação e importação.

Um estudo da consultoria Aspire Impact aponta que a receita das atividades relacionadas à ESG saltou de US$ 2 bilhões em 2010 para US$ 7,6 bilhões em 2020 na economia: a estimativa é que esse montante de investimentos ultrapasse os US$ 31 bilhões até 2030.

E no contexto do Comércio Exterior, essa tendência não apenas influencia as estratégias de mercado, mas também se torna um critério essencial para manter e expandir operações internacionais.

A relação entre sustentabilidade e comex ganha ainda mais relevância diante das exigências ambientais da União Europeia que aprovou o Pacto Ecológico Europeu (European Green Deal), um pacote de iniciativas que estabelece metas arrojadas para a transição à economia de baixo carbono.

Assim, os países e empresas que buscam manter relações comerciais com a UE devem atender às rigorosas regras de sustentabilidade. Uma das mais importantes é a taxação aduaneira de carbono que deve ser implementada pelo Carbon Border Adjustment Mechanism (CBAM), estabelecido por regulamentação do Parlamento Europeu, o qual determinou uma taxa para produtos importados com produção de carbono significativa.

No entanto, não é só na UE que surgem políticas relacionadas ao ESG. Nos Estados Unidos e no Reino Unido, critérios ambientais, sociais e de governança estão se tornando diretrizes comerciais para a entrada de produtos brasileiros nos respectivos países e o aumento das exigências de compliance, por sua vez, aponta para a necessidade de maiores investimentos e para estruturação de áreas de governança em empresas atuantes com Comércio Exterior no Brasil.

As organizações brasileiras precisam, nesse sentido, repensar suas práticas e estratégias de sustentabilidade, não apenas para atender aos requisitos regulatórios, mas para se posicionarem estrategicamente a nível global.

Diante desse cenário composto por uma série de desafios, mas também oportunidades, selecionamos 4 dicas eficazes para a fortalecimento de operações sustentáveis e que atendam princípios de governança no Comércio Exterior:

Rastreabilidade e certificações

Para se destacar no mercado internacional, as empresas brasileiras precisam empregar recursos em sistemas de rastreabilidade da cadeia de suprimentos, que envolve a capacidade de acompanhar o trajeto completo de um produto, desde sua origem até o consumidor final.

No segmento de comex, a rastreabilidade possibilita observar cada etapa da produção, da matéria-prima à distribuição. Essa transparência oferece garantias aos compradores internacionais sobre origem, qualidade e todos os processos envolvidos na fabricação dos produtos.

Além disso, as certificações ambientais e sociais também são fundamentais para validar práticas sustentáveis e responsáveis nas operações comerciais. Um exemplo é a certificação ISO 14001, dada a empresas cujas práticas de produção e logística atendem a padrões ambientais rigorosos.

Outro exemplo é a norma ISO 22000, que rege a segurança dos alimentos desde a produção até o consumo e é uma exigência para grandes marcas do comércio global. Enfim, as certificações são muitas e cada segmento terá as mais adequadas para sua área de atuação.

Gerenciamento de emissões de carbono e eficiência energética

A adoção de práticas de gestão da emissão de carbono não só demonstra um compromisso com o meio ambiente, mas também pode gerar benefícios econômicos e operacionais significativos.

Nesse sentido, uma das estratégias mais eficazes é a substituição de fontes de energia baseadas em combustíveis fósseis por energias renováveis, como energia solar, eólica, hidrelétrica ou gerada a partir de biomassa. A transição para essas fontes mais limpas não apenas reduz as emissões de carbono, mas também pode resultar em economias de custos a longo prazo, especialmente à medida que a tecnologia se torna mais acessível e eficiente.

Além disso, a redução do desperdício, a implementação de práticas de produção mais eficientes, o uso de materiais mais sustentáveis e a otimização dos processos logísticos para minimizar as emissões associadas ao transporte de produtos, além de beneficiar o planeta, são estratégias de negócio inteligentes.

Parcerias sustentáveis e estratégicas

Estabelecer parcerias estratégicas com organizações comprometidas com a sustentabilidade, além de promover práticas mais responsáveis nos negócios, é uma forma de impulsionar a inovação e gerar benefícios mútuos.

Ao colaborar com organizações que compartilham valores ESG, há um estímulo para o desenvolvimento de soluções e tecnologias mais ecológicas, promovendo desde a criação de materiais sustentáveis, até processos de produção com menor impacto ambiental.

E isso inclui também a aplicação de padrões éticos na cultura da empresa, com respeito aos direitos humanos, garantia de práticas laborais justas, condições seguras para os colaboradores e um ambiente de trabalho favorável à diversidade e à inclusão.

Dessa forma, as empresas podem mostrar seu compromisso com valores que transcendem o retorno financeiro, fortalecendo sua reputação, atraindo consumidores e investidores alinhados à responsabilidade corporativa.

Digitalização de operações

Por fim, a própria transformação digital das operações de importação e exportação, além de gerar maiores níveis de eficiência estratégica quanto ao controle de processos e sobre o ganho de níveis de governança e compliance, esse movimento reduz a dependência de empresas sobre o consumo de recursos ambientais.

Assim, é possível reduzir diretamente o impacto das atividades de sua empresa no meio ambiente e se alinhar, ainda mais, com uma perspectiva ESG.

Conclusão

A incorporação efetiva do ESG nas operações de Comércio Exterior não é apenas uma resposta às crescentes regulamentações globais, é, acima de tudo, uma oportunidade para o Brasil se posicionar como um player proeminente no mercado internacional, destacando-se pela sustentabilidade e inovação.

Nesse contexto, seguir uma agenda de pautas ambientais, sociais e de governança, além da potencialização da competitividade, contribui efetivamente para a construção de um futuro mais responsável e consciente em termos socioambientais.

A eCOMEX NSI acredita nessa pauta e no papel da transformação digital como um vetor de sustentabilidade. Conte conosco nessa jornada!

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