As discussões no Mercosul e quais são os impactos para o comex brasileiro

Entre acordos e perspectivas, o Mercosul tem protagonizado dúvidas importantes sobre o futuro do Comércio Exterior na América do Sul

Em uma breve introdução, o Mercosul representa um bloco de cunho econômico, político e social que visa fortificar a relação e o comércio entre os países-membros, com regulamentações específicas e particularidades únicas à região da América do Sul. Mais do que realizarmos uma contextualização histórica de sua relevância e própria criação, hoje, é de suma importância que importadoras e exportadoras estejam à parte do dinamismo que cerca o cenário, com base em uma postura de observância que trará mais clareza e previsibilidade para a tomada de decisões estratégicas.

Conceitualmente falando, alguns fatores denotam a sistemática estabelecida no Mercosul, bem como seus maiores propósitos. Temos a Tarifa Externa Comum (TEC), criada para padronizar as taxas de importação, a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), dedicada a categorizar as mercadorias por toda a cadeia de operações, além de vínculos firmados como acordos históricos, a exemplo do Acordo de Livre Comércio (ALC), que é efetuado com outros países através do Mercosul.

Para países como Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, a influência e o tamanho do Mercosul nos resultados de importação e exportação podem ser variados, a depender, principalmente, da influência de outros parceiros globais, como é o caso da China, protagonista no comércio internacional e fundamental para o Comex na América do Sul. Porém, de maneira geral, é possível credenciar ao bloco um estigma positivo de delinear uma paisagem de negócios mais favorável e unificada. Brasil e Argentina, para termos uma dimensão, são hubs consolidados de grandes empresas, com players que impulsionam o mercado. Somente na relação entre os dois países, já temos uma base de grande competitividade para que novos negócios sejam firmados.

O Mercosul hoje

Atualmente, a conjuntura econômica – e principalmente política – do Mercosul tem aquecido análises sobre o futuro do bloco. No horizonte, a tentativa da criação de um acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. Outras novidades também são pautadas: no Senado Federal, o acordo AFC-Mercosul, que contribui para a simplificação e a efetividade de processos de importação, exportação e trânsito de bens, fora liberado para promulgação.

Do lado das empresas, a demanda por mudanças é bastante sentida no campo operacional. Com a tecnologia demonstrando cada vez mais força, soluções especializadas despontam como opções viáveis de se resguardar as operações de Comex e, no caso da América do Sul, simplificar processos críticos para o sucesso comercial, como as negociações intercompanies. Frente a diferenças tributárias e aduaneiras, somadas à urgência por um acompanhamento estrito de alterações locais, a escolha por uma ferramenta que priorize a integração com outros governos é absolutamente essencial. A complexidade existe, e pode ser evidenciada em situações reais, como a relação com órgãos fiscalizatórios de parceiros comerciais. Menciono o exemplo da AFIP (Administración Federal de Ingresos Públicos).

Evidentemente, no momento, as atenções estão voltadas para o acordo Mercosul-UE, e como citado anteriormente, há um aspecto que deve ser mensurado, que é a recente eleição de Javier Milei à presidência da Argentina. No Brasil, em uma recente declaração, o vice-presidente da República Geraldo Alckmin afirmou que o acordo “está maduro”, com expectativa de que caminhe já em dezembro.Mas, em termos práticos, podemos estipular qual seria o impacto desse acordo para importadoras e exportadoras brasileiras? Mesmo que ainda seja cedo para projeções concretas, a formalização traria uma expansão da corrente comercial, a fim de potencializar a produtividade e reduzir a quantidade de tarifas. A diminuição de impostos de importação e a pluralidade das exportações, bem como a consolidação de parcerias comerciais, são reflexos a serem ponderados. É natural, inclusive, que cada segmento receba impactos distintos desse que é um movimento significativo.

Por fim, toda cautela é bem-vinda sobre como e quando o acordo sairá do papel. Devemos lembrar que as negociações têm se arrastado nos últimos vinte anos, em um ritmo moroso e dependente do interesse de inúmeras partes envolvidas. Se agora, há uma intensificação na busca pela materialização do acordo Mercosul-UE, é importante que propostas e condições sejam avaliadas e discutidas à exaustão, em prol de resoluções que efetivamente estimulem a competividade do Comex na América do Sul, em mais um sinal de que a integração é um caminho sem volta para a construção de um comércio internacional orientado ao crescimento e à união.

Divulgado em:

  • Monitor Mercantil: www.monitormercantil.com.br
Ramon Batistella
Value Propostion Director |  + posts

Prata da casa, Ramon, tem mais de 20 anos de experiência em gerenciamento de projetos, consultoria, desenvolvimento de software, implementação de sistemas, gerenciamento de mudanças e melhorias de processos de negócios em várias funções voltadas para o cliente.

 

Compartilhar:

Posts recentes

Após nova conversa com governo, EUA devem estender negociações para evitar tarifaço

O governo brasileiro e os Estados Unidos devem estender o prazo do grupo de trabalho criado para negociar...

Brasil supera recorde histórico de exportação de soja

País já embarcou mais de 51,6 milhões de toneladas em 2026, volume superior ao total...

China exige novas regras para importação de produtos alimentícios

Regulamento entra em vigor nesta segunda-feira e exige adequações de exportadores do agronegócio para manter...