Petróleo desbanca soja e promete novo recorde de exportações em 2026

Depois da surpresa de 2024, o petróleo brasileiro repetiu o feito em 2025 e voltou a desbancar a soja como o principal produto de exportação do Brasil mesmo com o preço internacional do barril em queda livre. Para 2026, a expectativa é de novo recorde de produção e exportação graças à entrada em operação de novas plataformas de extração que custaram bilhões de reais.

O que aconteceu
O Brasil exportou US$ 44,6 bilhões em óleos brutos de petróleo em 2025. O valor foi ligeiramente inferior a 2024 (-0,7%) em razão dos preços internacionais do barril (brent), que despencaram 9,8% no ano passado. “Este valor [US$ 44,6 bi] ratifica a resiliência desta indústria, que segue superando complexos como o da soja e o do minério de ferro”, avalia o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) para quem “o resultado consolida” o “protagonismo” do setor nas exportações

O aumento expressivo na produção e venda garantiu a liderança do petróleo na pauta exportadora pelo segundo ano seguido. Enquanto a extração cresceu 8,6% nos 12 meses terminados em novembro (últimos dados disponíveis da Agência Nacional de Petróleo), o volume em quilos vendido no exterior aumentou 10% de janeiro a dezembro, segundo o Mdic (Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio).

O resultado voltou a desbancar a soja, que dominou o ranking de 2016 a 2023:

2025 (petróleo): 44,6 bilhões
2024 (petróleo): 44,9 bilhões
2023 (soja): 53,2 bilhões
2022 (soja): 46,5 bilhões
2021 (soja): 38,6 bilhões
2020 (soja): 28,5 bilhões
2019 (soja): 26,1 bilhões
2018 (soja): 33,2 bilhões
2017 (soja): 25,7 bilhões
2016 (soja): 19,3 bilhões

Soja e petróleo tiveram os seguintes desempenhos em 2025:

A produção de soja cresceu 16% em razão da safra recorde de 2024/2025. Mas o volume exportado subiu 9,5%, somando US$ 43,5 bilhões em vendas. A expectativa é de novo recorde na safra 2025/2026: aumento de 3,2%, para 177,1 milhões de toneladas, segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).

A produção de petróleo cresceu 8,6% (nos 12 meses terminados em novembro). O volume exportado aumentou 10%: US$ 44,6 bilhões. A Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) estima crescimento de até 13% na produção de 2026, para até 4,5 milhões de barris por dia.

Os dois insumos também enfrentaram o mesmo problema: a queda constante do preço internacional. Enquanto o barril de petróleo perdeu 33% de valor entre 2022 e 2025 (de US$ 101 para US$ 67), o buschel da soja (27,2 kg) desvalorizou-se 34% (de US$ 15,5 para US$ 10,2). Nos dois casos, o excesso de oferta global nesses anos derrubou os preços.

Novas plataformas elevam produção:

Maior produtor de petróleo da América Latina, o Brasil consolidou-se como o sétimo exportador do mundo em 2025. O país tem potencial para atingir a quinta ou sexta posição até o final de 2026, segundo previsão do ex-presidente da Petrobras José Mauro Ferreira Coelho confirmada por relatório da Opep do ano passado, que prevê média de 4,5 milhões de barris produzidos por dia este ano. Em 2025, a média foi de 3,98, com pico de 4,9 milhões de barris/dia em novembro.

O principal motivo foi o aumento da extração nos campos do pré-sal em razão da aquisição de novas plataformas. Duas das maiores prometem elevar a produção este ano. No dia 31 de dezembro, começou a operar a plataforma P-78 na Bacia de Santos. Ela chegou ao Brasil em fevereiro do ano passado ao custo de US$ 2,4 bilhões e capacidade para extrair 180 mil barris por dia. A próxima a entrar em operação será a P-79, também em Santos, com capacidade para 100 mil barris por dia ainda no primeiro semestre.

Além da P-78 em 31 de dezembro, outras duas plataformas iniciaram produção em 2025:

Almirante Tamandaré (Búzios): Em operação desde fevereiro, tem capacidade de produzir 225 mil barris por dia (bpd). Seu aluguel por 26 anos custará US$ 1,6 bilhão;
Alexandre de Gusmão (Mero): Em operação desde de maio, tem capacidade de 180 mil bpd. Foi alugada por 22,5 anos ao custo de US$ 3,3 bilhões.

Outras duas começaram a operar em 2024:

Maria Quitéria (Jubarte): Em operação desde outubro, tem capacidade de 100 mil bpd. Seu aluguel custará US$ 2,3 bilhão por 22,5 anos;
Marechal Duque de Caxias (Mero): Também operando desde outubro, tem capacidade de 180 mil bpd. Custará cerca de US$ 1,6 bilhão por 22,5 anos de aluguel.

Fonte: Uol

+ posts

Fundada em 1986, a COMEX, pioneira em desenvolvimento de aplicações para gestão de processos de comércio exterior. Primeira empresa no Brasil a integrar seus aplicativos aos principais sistemas ERPs do mercado e a disponibilizar uma aplicação 100% WEB para gestão do comércio exterior.

Compartilhar:

Posts recentes

Após nova conversa com governo, EUA devem estender negociações para evitar tarifaço

O governo brasileiro e os Estados Unidos devem estender o prazo do grupo de trabalho criado para negociar...

Brasil supera recorde histórico de exportação de soja

País já embarcou mais de 51,6 milhões de toneladas em 2026, volume superior ao total...

China exige novas regras para importação de produtos alimentícios

Regulamento entra em vigor nesta segunda-feira e exige adequações de exportadores do agronegócio para manter...