O ano do tarifaço: Brasil conseguiu reversão, mas prejuízo chegou a US$ 1,5 bi

País busca resolver questão antes de eleições; mais de 60% dos itens exportados ainda estão com taxa extra

Empresas brasileiras que exportam para os Estados Unidos tiveram em 2025 seu ano mais desafiador da história. O governo do presidente Donald Trump decidiu impor uma tarifa de 50% aos produtosbrasileiros, o que gerou prejuízos e incertezas.

A tarifa foi anunciada em 9 de julho, com o objetivo de pressionar o Brasil a cancelar o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, por tentativa de golpe de Estado.

A taxa, de 50%, foi aplicada inicialmente a todos os itens, mas logo foram surgindo exceções, que deixaram de fora itens importantes, como aeronaves e suas peças.

Entre julho e setembro, houve semanas difíceis, em que o governo brasileiro encontrou portas fechadas ao procurar autoridades americanas, e a situação parecia sem solução.

No entanto, o impasse foi desfeito a partir de setembro. Após uma série de conversas de bastidores, envolvendo tanto autoridades quanto empresários e entidades setoriais, o presidente Trump se reuniu com o presidente Lula nos bastidores da Assembleia-Geral da ONU.

Depois disso, vieram outras conversas entre os dois presidentes e uma série de alívios ao tarifaço, como a retirada de mais produtos da lista e uma sinalização de normalização das relações.

No entanto, apesar da melhora no cenário, ainda há diversos produtos sob efeito de tarifas. Segundo cálculo da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos (Amcham), 62,9% dos produtos brasileiros exportados aos EUA ainda são alvo de alguma tarifa extra, seja de 10%, 40% ou 50%.

A última rodada de isenções foi anunciada em 20 de novembro, e contemplou itens como carne, café, frutas e outros produtos agrícolas. Já itens como calçados, máquinas, mel e móveis seguem sobretaxados.

Perda de US$ 1,5 bilhão
Em meio às idas e vindas das taxas, houve redução de exportações do Brasil para os EUA de US$ 1,5 bilhão em produtos, entre agosto e novembro de 2025, segundo estudo da Amcham.

Ao mesmo tempo, em 15 de 21 setores analisados, as empresas não conseguiram redirecionar os produtos que iam para os EUA rumo a outros mercados. Esses setores somaram perdas de US$ 1,2 bilhão, com destaque para mel, pescados, plástico, borracha, madeira, metais e material de transporte.

Além disso, alguns produtos têm mais dificuldade para encontrar outros compradores.

No setor de máquinas e aparelhos elétricos, por exemplo, as exportações para os Estados Unidos recuaram US$ 104,5 milhões, enquanto as vendas para o restante do mundo cresceram US$ 650 milhões no período, o que à primeira vista sugere compensação.

No entanto, os principais produtos afetados no mercado americano, como transformadores e geradores, não tiveram o mesmo desempenho em outros destinos: as exportações de transformadores caíram 23,1% para os EUA e 40,9% para o resto do mundo, enquanto as de geradores recuaram 54,6% para os EUA e cresceram apenas 2,3% nos demais mercados.

Fonte: Exame

+ posts

Fundada em 1986, a COMEX, pioneira em desenvolvimento de aplicações para gestão de processos de comércio exterior. Primeira empresa no Brasil a integrar seus aplicativos aos principais sistemas ERPs do mercado e a disponibilizar uma aplicação 100% WEB para gestão do comércio exterior.

Compartilhar:

Posts recentes

Tarifaço dos EUA impulsiona acordos do Brasil

Analista de Economia da CNN Victor Irajá explica, ao CNN Novo Dia, que sobretaxas de...

Ministério vê “vantagem significativa” para carne do Brasil nos EUA

Decreto de Trump reduz tarifa para US$ 44 por tonelada e pode ampliar espaço para...

Acordo comercial entre Mercosul e Singapura entra em vigor no Brasil

Tratado abre as portas do Sudeste Asiático para o bloco sul-americano O acordo de livre...