MDIC reúne especialistas para discutir potencial do e-commerce brasileiro no mercado chinês

Encontro com empresas e instituições parceiras debateu estratégias e perspectivas de venda, entre outros temas

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) promoveu nesta quinta-feira (9/10) um debate sobre o potencial de vendas do Brasil para China por meio do comércio eletrônico. Com a parceria do Fórum MDIC de Comércio Eletrônico e a participação do setor privado e instituições parceiras, o workshop “E-commerce para a China: Desafios e Oportunidades” buscou aprofundar o conhecimento sobre o mercado chinês e discutir estratégias para ampliar a presença do Brasil no comércio digital.

Na abertura do evento, o secretário-executivo do MDIC, Márcio Elias Rosa, frisou a importância do comércio eletrônico como instrumento de aproximação econômica e diplomática entre Brasil e China.

“A política ganha concretude quando alcança o chão da fábrica, o balcão do comércio, a casa das pessoas. É assim que o que foi pensado pelo presidente Lula e pelo vice-presidente Alckmin se torna real: quando a decisão política encontra o trabalho técnico e chega à vida das pessoas”, disse Márcio Elias.

Ele lembrou que o e-commerce é uma realidade global e a China já movimenta mais de US$ 2 trilhões nesse mercado. O Brasil, afirmou, precisa conquistar espaço e vender mais para o país asiático. “O MDIC é o sindicato da indústria e do comércio, do comércio exterior. As portas estão abertas para ouvir demandas e construir soluções em conjunto. Esse é o nosso compromisso”, disse.

Temas principais
O workshop contou com dois painéis. O primeiro, “Visão estratégica, geopolítica, cultura institucional e ambiente de negócios da China”, abordou aspectos estratégicos, culturais e institucionais que influenciam o ambiente de negócios entre os dois países.

O segundo, “Perspectivas do varejo, ecossistemas de inteligência artificial e crossborder na China”, tratou das perspectivas do varejo chinês, do ecossistema de inteligência artificial e das oportunidades do comércio eletrônico transfronteiriço.

A moderação ficou a cargo de Adriana de Azevedo Silva, diretora do Departamento de Comércio e Serviços (Decos) do MDIC, e Cristina Franco, da Associação Brasileira de Franchising (ABF). Luís Felipe Giesteira, secretário-adjunto de Desenvolvimento Industrial, Inovação Comércio e Serviços do MDIC, reforçou a relevância geopolítica e econômica da relação bilateral e os avanços recentes na cooperação entre os dois países.
“Falar de e-commerce é falar de futuro. Brasil e China são economias centrais no comércio internacional e seguirão ampliando sua influência nas próximas décadas”, afirmou.

Giesteira lembrou que a China é o principal parceiro comercial do Brasil e o terceiro maior investidor estrangeiro no país, com forte presença em infraestrutura e novas oportunidades nos setores produtivo e tecnológico.

A diretora do Departamento de Promoção das Exportações e Facilitação do Comércio do MDIC, Janaína Batista, salientou o papel do comércio exterior como vetor de desenvolvimento econômico e social.

Ela lembrou que o governo federal instituiu, em 2023, a Política Nacional da Cultura Exportadora (PNCE), que articula órgãos públicos, entidades privadas e governos estaduais para ampliar o acesso de empresas brasileiras ao mercado internacional. “Nosso trabalho é construir pontes entre o governo, o setor produtivo e as plataformas digitais, estimulando a inserção de mais empresas no comércio exterior”, disse.

Ela também citou o estudo “Análise Socioeconômica do Comércio Brasil–China”, que mostra o avanço das exportações brasileiras e os desafios da concentração da pauta comercial. “O comércio eletrônico tem papel central nessa transformação. Ele pode diversificar nossa pauta e abrir novas portas para empresas de diferentes regiões e perfis”, acrescentou.

Encerrando o primeiro painel, Julieta Fan, representante da ApexBrasil para a Ásia-Pacífico, falou diretamente de Pequim e apresentou um panorama do mercado chinês de e-commerce — o maior do mundo, que movimentou cerca de 9 trilhões de yuans em 2024.
“O público chinês valoriza autenticidade, origem e reputação — fatores que abrem espaço para os produtos brasileiros, reconhecidos pela qualidade e identidade própria”, afirmou Julieta, informando que a ApexBrasil oferece cursos, plataformas e ações de promoção comercial voltadas ao mercado chinês.

A diretora do Departamento de Comércio e Serviços, Adriana de Azevedo Silva, moderou Painel 2 e destacou a importância do diálogo entre o setor público e privado, como pelo Fórum de Comércio e Serviços e na promoção do próprio Workshop, para estabelecer uma agenda de ações relevantes.
Adriana ressaltou que: “Esse workshop realizado no âmbito do Grupo Técnico de Comércio Eletrônico, do Fórum MDIC de Comércio e Serviços, buscar aprofundar a compreensão do potencial do comércio eletrônico também no cross-border e ainda municiar o setor público para construção de agenda em torno do tema”.

Planejamento e adaptação
Durante o segundo painel, o diretor da Novo Mel, Roberto Pamplona, falou sobre a entrada no mercado chinês por meio da plataforma Tmall Global, do grupo Alibaba, destacando investimentos em planejamento, adaptação cultural e marketing digital.

A presidente do Conselho da ABF, Cristina Franco, abordou o protagonismo da China na integração entre tecnologia e varejo digital. “Com 1,42 bilhão de habitantes e alta penetração de e-commerce, o país é referência mundial em inovação e consumo digital”, disse.

Por fim, o presidente da Abiacomm, André Iizuka, afirmou que a inteligência artificial já é uma infraestrutura essencial nos negócios e elemento central da rota digital Brasil–China. “A China integra governo, empresas e tecnologia em um ecossistema robusto, que serve de inspiração para a digitalização do comércio brasileiro”, concluiu.

O workshop integra a agenda do Fórum MDIC de Comércio e Serviços, que busca ampliar o diálogo entre governo e setor produtivo e fortalecer a inserção do Brasil nos fluxos globais de comércio digital.

Fonte: Gov.br

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