O futuro do Comex exige profissionais capazes de combinar análise estratégica, tecnologia e soft skills avançadas. Em um setor cada vez mais complexo e dinâmico, competências como problem‑solving, flexibilidade e visão sistêmica tornam‑se essenciais para quem deseja se destacar.
O futuro do Comex: as soft skills que serão cada vez mais mandatórias aos profissionais do setor
Durante muito tempo, o comércio exterior exigiu profissionais capazes de seguir regras, replicar processos e garantir conformidade. Isso continua importante, mas no contexto volátil dos dias de hoje, já não basta.
O ambiente regulatório muda em ritmo acelerado, a tecnologia redefine tarefas e as empresas esperam respostas rápidas para problemas novos, e antigos. Nesse contexto, se torna imprescindível ao profissional do futuro um conjunto claro de competências comportamentais e estratégicas.
Soft skills que ganham protagonismo no setor
Uma delas é o chamado “problem-solving skills”, habilidade cada vez mais determinante para os profissionais do setor, e que consiste em, mais do que resolver problemas, lidar com o inesperado, atravessar rapidamente a resistência às mudanças e transformar complexidade em oportunidade.
O profissional que se destaca é aquele que, diante de um desvio de rota, não paralisa. Ele entende o impacto para o negócio, reage com agilidade e busca soluções viáveis, mesmo quando o cenário muda no meio do caminho.
Curiosidade, flexibilidade e adaptação contínua
Essa capacidade está diretamente ligada à curiosidade e a responsabilidade. No Comex, ser curioso é questionar processos, testar possibilidades e explorar alternativas. É não se acomodar ao “sempre foi assim” e buscar entender como cada etapa realmente funciona.
Além disso, a curiosidade sustenta outra competência essencial: a flexibilidade. Em um setor em que novas exigências surgem antes mesmo da implementação completa das anteriores, adaptar-se rapidamente deixou de ser diferencial e passou a ser condição básica.
Tecnologia como aliada estratégica do profissional de Comex
A tecnologia potencializa todas essas habilidades. A inteligência artificial não substitui o profissional de comércio exterior. Pelo contrário, amplia sua capacidade de atuação. Atividades que antes permitiam a construção de poucos cenários hoje possibilitam a análise de centenas em minutos.
Ferramentas como o ChatGPT, por exemplo, podem apoiar desde a interpretação de mudanças regulatórias até a adaptação da linguagem técnica para públicos não especializados, como diretoria, financeiro ou comercial. O ganho está em liberar tempo para análise, tomada de decisão e prevenção de riscos.
Mais do que usar tecnologia, é fundamental aprender a perguntar. Se o profissional não consegue identificar claramente o problema, dificilmente encontrará a solução. Saber formular boas perguntas é uma habilidade estratégica e cada vez mais valorizada, especialmente em um ambiente orientado por dados, automação e inteligência artificial.
Benchmarking, colaboração e visão sistêmica
Outro ponto-chave é o benchmarking constante. O profissional de Comex precisa estar conectado ao que acontece em outras empresas, setores e mercados. A inovação não nasce no isolamento, mas na comparação, na leitura contínua e na troca de experiências. Comunidades como a Comex Pulse Comm cumprem um papel relevante nesse processo, ao promover conexões, acelerar aprendizados e ampliar repertórios.
Lembrando que nenhuma dessas competências prospera sem colaboração entre áreas. O comércio exterior é uma área transversal, que atua com Supply Chain, Financeiro, Fiscal, Jurídico, Compras e Produto para entregar resultados consistentes. Resolver problemas exige compreender o impacto das decisões no todo, e não apenas na etapa sob sua responsabilidade.
A importância do conhecimento de campo
Há ainda um fator muitas vezes subestimado, mas decisivo: o conhecimento de campo. O profissional que realmente agrega valor é aquele que conhece a operação real, visita portos secos, conversa com equipes que estão no front e observa como as cargas chegam e são movimentadas. Muitas das melhores ideias surgem fora do escritório, a partir da escuta atenta de quem vive o processo diariamente.
Tudo isso exige uma mentalidade empreendedora e uma visão sistêmica, mesmo dentro das organizações. O profissional de Comex precisa agir com senso de responsabilidade, iniciativa e olhar crítico sobre o que pode ser melhorado. Isso vale tanto para quem ocupa posições estratégicas quanto para quem atua de forma mais operacional. Não se trata de abandonar processos, mas de questioná-los, aprimorá-los e propor evoluções constantes.
O perfil do profissional preparado para o futuro e os soft skills
Somar curiosidade, flexibilidade, tecnologia como aliada, benchmarking, colaboração, conhecimento de campo e espírito empreendedor é o que forma o profissional preparado para o presente e para o futuro. É justamente aí que a tecnologia entra: não para substituir pessoas, mas para ampliar a capacidade humana, acelerar decisões, reduzir o operacional e abrir espaço para o pensamento estratégico.
Esse perfil vai além da execução. Ele antecipa riscos, gera valor para o negócio e constrói soluções que ainda não estavam no radar da empresa.
O comércio exterior mudou e continuará mudando. Para acompanhar esse ritmo, não precisamos apenas de especialistas. Precisamos de profissionais protagonistas, capazes de usar a tecnologia de forma inteligente para transformar problemas em oportunidades todos os dias.

Por Daniela Killner, embaixadora da Comunidade Comex Pulse Comm. Líder em Global Trade e Compliance com mais de 25 anos de experiência em comércio internacional, logística e supply chain. Atua como Business Partner estratégica, focada em simplificar processos complexos e implementar soluções sustentáveis. Especialista em gestão de mudanças e desenvolvimento de pessoas, une visão técnica e humana para gerar valor a longo prazo e fortalecer parcerias globais.
Fonte: RH pra você
Fundada em 1986, a COMEX, pioneira em desenvolvimento de aplicações para gestão de processos de comércio exterior. Primeira empresa no Brasil a integrar seus aplicativos aos principais sistemas ERPs do mercado e a disponibilizar uma aplicação 100% WEB para gestão do comércio exterior.

