O Comércio Exterior brasileiro chegará a 2027 em meio a mudanças que já começaram a sair das normas e dos cronogramas para tornarem-se rotina dentro das empresas brasileiras.
A migração para a DUIMP avançou, a Reforma Tributária entra em uma nova etapa, o Programa OEA foi reformulado e a Receita Federal formalizou sua política para o uso de inteligência artificial.
Fora do Brasil, o cenário também mudou. O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia inicia seu primeiro ano civil completo de aplicação, o CBAM amplia o peso das exigências de carbono no acesso ao mercado europeu e a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos ganhou uma nova camada de tensão tarifária.
São movimentos diferentes, mas todos têm potencial para mexer com custos, processos, compliance, acesso a mercados e decisões estratégicas. Ao mesmo tempo, apontam para uma necessidade comum: reduzir a dependência de processos manuais, integrar sistemas e organizar dados que ainda circulam de forma fragmentada entre áreas e etapas da operação.
A partir do que já está em curso, reunimos as oito tendências do Comércio Exterior para 2027 que mais merecem atenção das empresas brasileiras.
As 8 tendências do Comércio Exterior para 2027
- DUIMP em 2027 e consolidação do Novo Processo de Importação
- Reforma Tributária no Comércio Exterior
- Certificação OEA e novos benefícios
- Inteligência artificial na fiscalização aduaneira
- CBAM e impactos para exportadores brasileiros
- Acordo Mercosul-União Europeia
- Relação comercial Brasil-Estados Unidos
- Perspectivas para o comércio mundial em 2027
1. DUIMP em 2027: o que muda no Novo Processo de Importação?
A migração do antigo processo de importação para o Novo Processo de Importação (NPI) avançou significativamente durante 2025 e 2026. O cronograma da Receita Federal e da Secretaria de Comércio Exterior vem ampliando as operações sujeitas à Declaração Única de Importação (DUIMP), ao Catálogo de Produtos e ao Licenciamento, Permissões, Certificados e Outros Documentos (LPCO).
A mudança acontece por etapas, considerando modalidade de transporte, tratamento administrativo, enquadramento das mercadorias e disponibilidade dos fluxos no Portal Único. Como o próprio cronograma pode receber ajustes, 2027 deve ser visto como um ano de consolidação do novo modelo.
O que ganha peso na operação com a DUIMP?
- Catálogo de Produtos: qualidade, padronização e atualização dos cadastros;
- Classificação fiscal: consistência da NCM e dos atributos das mercadorias;
- Integrações: conexão entre ERP, sistemas de Comex e Portal Único;
- LPCO: acompanhamento dos tratamentos administrativos aplicáveis;
- Governança de dados: controle das informações utilizadas na DUIMP.
Quanto maior o volume de SKUs e operações, maior a dificuldade de administrar essa base manualmente. Descrições inconsistentes, classificações inadequadas ou atributos incompletos podem repercutir em diferentes etapas do processo.
Empresas que precisam estruturar esse fluxo já encontram soluções capazes de centralizar cadastros, integrar dados corporativos e automatizar parte das validações. A Gestão de Catálogo de Produtos da eComex, por exemplo, organiza essas informações, integra o fluxo ao ERP e realiza o envio ao PUCOMEX. A solução Atrix usa inteligência artificial para sugerir classificação fiscal e atributos, com validação humana.
Em 2027, operar bem a DUIMP dependerá cada vez mais da qualidade dos dados que chegam até ela.
2. Como a Reforma Tributária impacta o Comércio Exterior em 2027?
Se 2026 funciona como período de transição e preparação, 2027 marca uma etapa decisiva da Reforma Tributária sobre o consumo. A Lei Complementar nº 214/2025 regulamentou IBS, CBS e Imposto Seletivo e definiu uma implementação gradual do novo sistema.
Segundo o cronograma da Receita Federal, 2027 prevê a cobrança da CBS, a extinção de PIS e Cofins e a entrada em vigor do Imposto Seletivo.
As importações fazem parte dessa transformação. Para o Comércio Exterior, a mudança alcança parametrizações, integrações, documentos fiscais, apuração de tributos e a comunicação entre áreas como fiscal, financeiro, tecnologia e Comex.
O que as empresas precisam revisar para 2027?
- Parametrizações tributárias e cálculos aduaneiros;
- Integrações entre ERP e sistemas de Comércio Exterior;
- Documentos fiscais e fluxos de dados;
- Impactos sobre regimes aduaneiros especiais;
- Adequação aos novos mecanismos tecnológicos da reforma.
Entre esses mecanismos está o split payment. Em junho de 2026, Receita Federal e Comitê Gestor do IBS autorizaram a publicação do Manual de Integração e do Swagger da Plataforma Pública do Split Payment, abrindo a etapa de preparação tecnológica para a segregação e o recolhimento de CBS e IBS nas transações abrangidas.
Atenção aos Regimes Aduaneiros Especiais
A adaptação também exige atenção de empresas que utilizam Drawback, RECOF, Repetro e outros regimes aduaneiros especiais. Nesse cenário, plataformas integradas de gestão de Comex ajudam a concentrar dados e controles em um mesmo ambiente. O eComex Pulse Edition reúne a gestão das operações de Comércio Exterior, enquanto a funcionalidade de Regimes Aduaneiros Especiais automatiza controles, rastreabilidade e apuração de saldos.
2027 tende a mostrar, na prática, quanto da preparação feita durante a transição realmente chegou à operação.
3. O que muda na certificação OEA em 2027?
O Programa Brasileiro de Operador Econômico Autorizado passou por mudanças relevantes em 2026. A Instrução Normativa RFB nº 2.318/2026 reestruturou o OEA-Conformidade em três níveis: Essencial, Qualificado e Referência.
Os benefícios associados ao programa também ganharam uma dimensão financeira mais relevante. Em julho de 2026, a Portaria Coana nº 201 instituiu um teste de procedimentos para o diferimento do pagamento de tributos incidentes na importação. O teste pode envolver até 30 operadores certificados como OEA-C Referência e tem duração inicial de 180 dias, com possibilidade de uma prorrogação por igual período.
Por que a manutenção da certificação OEA ganha importância?
Para empresas certificadas, a nova fase reforça a necessidade de administrar continuamente requisitos, riscos, evidências e controles internos. Para quem pretende ingressar no programa ou avançar dentro da nova estrutura, será preciso demonstrar conformidade de forma consistente.
Quanto mais relevantes forem os benefícios associados ao OEA, maior tende a ser o peso estratégico da manutenção da certificação.
A tecnologia pode reduzir a complexidade dessa rotina. O OEA Manager, da eComex, automatiza processos de certificação e recertificação e centraliza requisitos, tarefas, evidências, indicadores, planos de ação e gestão de riscos em um único ambiente.
Em 2027, acompanhar os novos benefícios do OEA será tão importante quanto preservar as condições necessárias para utilizá-los.
4. Como a inteligência artificial deve impactar a fiscalização aduaneira em 2027?
A inteligência artificial também avança do lado de quem fiscaliza. Em fevereiro de 2026, a Receita Federal publicou a Portaria RFB nº 647 e instituiu formalmente sua Política de Inteligência Artificial.
A norma estabelece princípios, diretrizes, responsabilidades, limites e salvaguardas para o uso responsável, ético e seguro de soluções baseadas em IA no órgão.
Esse movimento acontece enquanto cresce a quantidade de informações estruturadas disponíveis para a administração pública. Portal Único, documentos eletrônicos, informações tributárias, cadastros e declarações ampliam as possibilidades de cruzamento de dados.
O que muda para o compliance aduaneiro?
Ainda não há base oficial para afirmar que toda a fiscalização aduaneira estará automatizada em 2027. O que já está documentado é o avanço institucional da IA dentro da Receita Federal. Para as empresas, isso reforça a importância de controles preventivos em um ambiente cada vez mais orientado por dados.
Quem ainda depende exclusivamente de conferências manuais ou amostrais pode ampliar essa capacidade com tecnologias de auditoria automatizada. O Veritas, da eComex, utiliza inteligência artificial para ler e cruzar documentos, aplicar regras de negócio e legislação aduaneira e identificar inconsistências ao longo do processo.
Em 2027, a discussão sobre IA no Comex tende a avançar da adoção da tecnologia para a qualidade dos controles construídos com ela.
5. Como o CBAM afeta exportadores brasileiros em 2027?
As exigências ambientais começam a produzir consequências econômicas mais concretas no comércio internacional. O Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira da União Europeia, conhecido pela sigla CBAM, entrou em sua fase definitiva depois do período transitório iniciado em 2023.
Quais setores precisam acompanhar o CBAM?
O mecanismo alcança inicialmente setores intensivos em carbono. Entre os grupos abrangidos estão:
- Ferro e aço;
- Alumínio;
- Cimento;
- Fertilizantes;
- Hidrogênio e eletricidade.
Segundo a Comissão Europeia, até 30 de setembro de 2027 os importadores europeus de bens sujeitos ao CBAM deverão apresentar a primeira declaração do mecanismo, cobrindo as emissões incorporadas nas importações realizadas em 2026, e entregar os certificados correspondentes.
Para exportadores brasileiros inseridos nessas cadeias, isso pode significar novas demandas de dados, documentação e rastreabilidade por parte dos clientes europeus. Quando o importador optar por declarar emissões reais, o produtor localizado fora da União Europeia precisará fornecer dados de emissões verificados.
O CBAM mostra como requisitos ambientais entram cada vez mais na política comercial. Para o profissional de Comex, sustentabilidade passa a conviver com temas como origem, documentação, custo e acesso a mercados.
6. Acordo Mercosul-União Europeia: o que muda para empresas brasileiras em 2027?
Depois de mais de duas décadas de negociação, o Acordo Mercosul-União Europeia chegou a uma nova fase em 2026. O acordo foi assinado em 17 de janeiro, e o Acordo Provisório de Comércio passou a ser aplicado em 1º de maio. Com isso, 2027 será o primeiro ano civil completo de aplicação provisória da parte comercial.
A redução gradual das tarifas cria oportunidades para exportadores e importadores. Aproveitá-las, porém, depende da aplicação correta das regras previstas no acordo.
Antes de utilizar uma preferência tarifária, a empresa precisa verificar:
- A classificação fiscal do produto;
- A regra de origem aplicável;
- O cronograma de desgravação tarifária;
- A documentação exigida para o benefício.
A existência de uma redução tarifária não significa que qualquer operação entre os dois blocos receberá automaticamente o benefício. Produto, origem, prazo e documentação precisam estar enquadrados nas condições aplicáveis.
A implementação do acordo já chegou aos sistemas brasileiros. Em julho de 2026, o Siscomex informou uma atualização no algoritmo de cálculo do Imposto de Importação aplicável às importações amparadas pelo acordo.
Em 2027, conhecer as oportunidades abertas pelo acordo será apenas parte do trabalho. O ganho efetivo dependerá da capacidade de enquadrar corretamente cada operação.
7. Como a relação comercial Brasil-Estados Unidos pode impactar empresas em 2027?
A relação comercial entre Brasil e Estados Unidos chega a 2027 em condições diferentes das observadas no início de 2026.
Em julho de 2026, o governo dos Estados Unidos adotou novas medidas tarifárias decorrentes de investigações conduzidas com base na Seção 301. Na investigação específica sobre o Brasil, o USTR estabeleceu uma sobretaxa adicional de 25% para determinados produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano.
Segundo o MDIC, uma segunda medida publicada no mesmo mês estabeleceu sobretaxas de 10% ou 12,5% para importações de países enquadrados pela avaliação norte-americana sobre prevenção e combate ao trabalho forçado nas cadeias globais. Consideradas em conjunto, as novas medidas alcançam 23,1% das exportações brasileiras, enquanto 52,7% permanecem sem tarifas adicionais setoriais ou específicas contra o Brasil.
Por que esse cenário merece atenção em 2027?
Para companhias expostas ao mercado norte-americano, tarifas adicionais podem interferir em preço, margem e competitividade. Dependendo do setor, também podem levar à revisão de mercados de destino, fornecedores, composição de custos e estratégias de produção.
Os efeitos não ficam restritos a quem vende diretamente aos Estados Unidos. Mudanças tarifárias entre grandes parceiros comerciais podem deslocar fluxos, preços, demanda, oferta e rotas em outras regiões.
Em um comércio internacional mais fragmentado, política comercial também entra na gestão de risco das operações internacionais.
8. Quais são as perspectivas para o comércio mundial em 2027?
As projeções da Organização Mundial do Comércio ajudam a colocar essas mudanças em perspectiva. Segundo o Global Trade Outlook and Statistics divulgado pela OMC em março de 2026, o volume do comércio mundial de mercadorias deve crescer 1,9% em 2026, depois de uma expansão de 4,6% em 2025. Para 2027, a projeção aponta recuperação para 2,6%.
A melhora projetada ocorre em um cenário ainda sujeito a riscos comerciais, geopolíticos e econômicos. A OMC atribui parte do desempenho recente ao forte comércio de produtos ligados à inteligência artificial e também alerta para os efeitos que preços elevados de energia e conflitos podem produzir sobre o crescimento.
O que esse cenário significa para empresas brasileiras?
Uma recuperação moderada do comércio global não elimina a pressão por competitividade. Custos logísticos, utilização de acordos comerciais, produtividade, gestão tributária, compliance, qualidade dos dados e velocidade de adaptação regulatória continuam interferindo no resultado das operações.
2027 combina oportunidades de expansão com um ambiente internacional que continuará cobrando acompanhamento e capacidade de resposta.
O que as tendências do Comércio Exterior para 2027 revelam?
DUIMP, Reforma Tributária, OEA, inteligência artificial, CBAM, acordos comerciais e mudanças tarifárias atuam em frentes diferentes, mas convergem em um ponto: a operação de Comércio Exterior depende cada vez mais de dados estruturados, integração entre sistemas e capacidade de adaptação.
Mais informações precisam circular entre áreas. Alterações regulatórias precisam chegar às parametrizações. A conformidade depende de evidências distribuídas por diferentes etapas. Uma decisão tomada no cadastro de um produto pode repercutir depois na tributação, no desembaraço, no aproveitamento de um benefício ou em auditoria.
O ano de 2027 exigirá operações mais digitais e integradas no Comex
As mudanças que prometem se consolidar no próximo ano aumentam o custo das empresas que ainda mantém processos fragmentados e controles manuais.
Preparar a operação para 2027 passa por revisar onde estão os dados, como são atualizados, quais atividades ainda dependem de intervenção manual e como a empresa identifica inconsistências.
As tendências do Comércio Exterior para 2027 apontam para uma operação mais digital, integrada e dependente da qualidade da informação. Para as empresas brasileiras, o próximo ano será uma prova concreta da capacidade de transformar mudanças regulatórias e tecnológicas em processos mais consistentes.
Perguntas frequentes sobre o Comércio Exterior em 2027
As principais tendências são a consolidação da DUIMP e do Novo Processo de Importação, a nova etapa da Reforma Tributária, as mudanças na certificação OEA, o avanço da inteligência artificial na fiscalização aduaneira, o CBAM europeu, o Acordo Mercosul-União Europeia, a nova configuração comercial entre Brasil e Estados Unidos e a recuperação moderada projetada para o comércio mundial.
A migração da DI para a DUIMP ocorre de forma faseada. A Receita Federal informa que a obrigatoriedade segue o cronograma oficial de desligamento da DI e pode receber ajustes por Notícias Siscomex. Por isso, o enquadramento deve ser verificado conforme a operação.
Em 2027, o cronograma prevê cobrança da CBS, extinção de PIS e Cofins e entrada em vigor do Imposto Seletivo. Para o Comércio Exterior, isso exige atenção a parametrizações tributárias, integrações, documentos fiscais e regimes aduaneiros especiais.
A estrutura do OEA-Conformidade foi reformulada em 2026 nos níveis Essencial, Qualificado e Referência. Também foi criado um teste de diferimento do pagamento de tributos na importação para operadores OEA-C Referência selecionados, cuja evolução será relevante para 2027.
A Receita Federal instituiu em 2026 sua Política de Inteligência Artificial. Em paralelo, a digitalização do Comex amplia o volume de dados disponíveis para cruzamentos e análises, aumentando a importância de controles preventivos e da consistência das informações.
O CBAM é o mecanismo europeu de ajuste de carbono na fronteira. Exportadores brasileiros inseridos nas cadeias abrangidas podem precisar fornecer dados de emissões e documentação aos importadores europeus para que eles cumpram suas obrigações no mecanismo.
O acordo cria um processo gradual de redução tarifária e novas condições de acesso aos mercados dos dois blocos. O aproveitamento das preferências depende do produto, do cronograma aplicável, das regras de origem, da classificação fiscal e da documentação correta.
A preparação envolve mapear impactos regulatórios, revisar cadastros e classificações, acompanhar os cronogramas oficiais aplicáveis, atualizar parametrizações tributárias, fortalecer compliance e gestão de riscos e avaliar a integração entre ERP, sistemas de Comércio Exterior e plataformas governamentais.
Fundada em 1986, a COMEX, pioneira em desenvolvimento de aplicações para gestão de processos de comércio exterior. Primeira empresa no Brasil a integrar seus aplicativos aos principais sistemas ERPs do mercado e a disponibilizar uma aplicação 100% WEB para gestão do comércio exterior.

