Brasil é parceiro estratégico do Japão em terras raras, afirma embaixador

O embaixador japonês no Brasil, Yasushi Noguchi, destaca colaboração bilateral para reduzir dependência da China e agregar valor aos minerais críticos brasileiros em entrevista exclusiva à CNN

A crescente demanda global por minerais críticos tem fortalecido a parceria entre Brasil e Japão, especialmente no setor de terras raras. Para o governo japonês, o Brasil ocupa uma posição estratégica nesse cenário, sendo considerado a segunda maior potência mundial em reservas de terras raras, atrás apenas da China.

Em entrevista exclusiva à CNN, o embaixador japonês no Brasil, Yasushi Noguchi, explicou como essa parceria pode fortalecer a segurança econômica dos dois países. Segundo ele, uma das principais prioridades do Japão é justamente a segurança econômica, o que torna o Brasil um parceiro altamente atrativo.

Redução da dependência da China

Noguchi destacou que o Japão busca reduzir sua dependência de minerais críticos importados da China. “Para nós, o Brasil é muito atrativo, considerado como a segunda potência da terra rara no mundo, depois da China”, afirmou o embaixador.

Ele ressaltou que empresas japonesas já estão colaborando com companhias brasileiras no desenvolvimento de minerais críticos, incluindo as terras raras.

Valor agregado como prioridade

Ao ser questionado sobre se o interesse japonês se limitaria à extração das terras raras ou se incluiria também o beneficiamento desses minerais em solo brasileiro, Noguchi foi enfático.

“É um ponto muito importante, porque o governo brasileiro sempre enfatiza esse aspecto de criar valor agregado, não só exportar minerais”, declarou. Para o embaixador, a ideia não é tratar as terras raras como simples commodities, mas sim processá-las de forma a ampliar seu valor antes da exportação.

Como exemplo concreto dessa colaboração, Noguchi citou a parceria entre empresas japonesas e a empresa brasileira CBMM, produtora de nióbio. Segundo ele, as companhias estão trabalhando juntas para desenvolver baterias de próxima geração utilizando o nióbio produzido pela CBMM.

“Dessa maneira, podemos criar algo de valor agregado. Contando com empresas e tecnologia japonesas, estamos dispostos a ajudar e a facilitar o Brasil nesse aspecto”, concluiu Noguchi.

Fonte: CNN

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